Para sempre poetamor

Alguém me diz quando é que o amor durou para sempre?
há por aí catervas de poetas a dizer que o amor é eterno.
É o raio que os parta!

Já me desprezei por ter rompido com amores eternos dezenas de vezes
e eu sou ainda petiza!
Enganam-nos toda a vida com a porcaria das princesas
e dos seus finais sempre felizes!

Não há um poeta; Um único que não seja malogrado!
Nunca existiu um poeta que fosse bem sucedido no amor!

Estou farta, cansada e batida.
O amor de que falam é tesão!
esse cansaço que dizem ser a essência da vida
é puríssima treta, completa desrazão
Eu quero tempo, quero carinho e quero tempo!
Não preciso de mulheres, não preciso de homens,
não preciso de amasso, não preciso de roço
não sou um cão que se aquieta com osso

Quero tempo, preciso de abraço
preciso de tempo com pessoas a sério
de falar e pensar com critério
preciso de silêncio acompanhado com gente
até que a beleza me seja indiferente.
As estéticas, as formas e até os conteúdos
deviam ficar todos mudos;
surdos.

E eu seria só abraço
tudo seria abraço
sem calor, nem cansaço
não precisava de durar muito
só todo o tempo
só para sempre.

Detesto a Carolina Deslandes

CarolinaDeslandesSe espreitarem as redes sociais e o que nelas diz Carolina Deslandes, vão conseguir facilmente arranjar pretextos para a achar a pior das pessoas.
É tão irritante que expõe a sua vida a torto e a direito nas redes sociais, sem se preocupar com “odiadores”.
Depois canta como um anjo, de propósito para aumentar a inveja dos que não cantam assim – ou seja – todos!
Dá entrevistas desempoeiradas e inteligentes e até a porra da curvas, que tem não só nas bochechas, lhe ficam a matar.

É insuportável a miúda!

Pão, feminino e masculino.

Há coisas mais importantes do que o pão,
mas só se saberá se houver,
quando falta é-se cão,
mas só se ainda houver noção de ser
Se não, serão fãs de nada
ignorantes convictos
Arquiduques da empada
Imperadores absolutos de pequenitos

a Ignorância,
dos primitivos que acham idólatra e idiota,
que os faz rezar a Árvores e Calhaus Sagrados,
é a mesma dos Cifrões, Cruzes, Estrelas e mais Calhaus

não há bons, nem maus,
há só bondade e ignorância
no lugar de corações, há paus
ego e Ego onde devia estar inteligência

O mundo é masculino,
mas não devia ser feminino,
tal como não devia ser só mar,
também não deve ser só terra
as mulheres, não têm a exclusividade do feminino
os grunhos não a têm do masculino
temos todos tudo
e quem quer ser só parte,
não é completo.

a mão que embala o berço

A mão que embala o berço é a mesma que agarra o chão para não partir,
é a que ampara o bebé e que apara a bofetada de ciúme.
a mãe que dá o seio de leite é a mesma que arranca pedaços de costas do amante
a mulher que dá e vê Deus, é a mulher que fornica com Ele

Aquele beijo por baixo do cabelo da nuca escondida
arrepia a espinha, pare vontades com vida
E a barba que arranha e dói e dá tesão,
é a que eriça cicatrizes de sins gritados não

começa por desexistir tudo o que é facto
depois nem isso, apaga-se a luz, toque e olfacto
tudo é sabor, mas do céu, não de língua
a carne funde-se e o universo míngua

A escuridão apaga-se,
e o vazio é coisa que se inala
O ar sufoca-se
até o silêncio se cala