da Medicina

“O nosso Professor não procura, não vê e não lida com doenças, mas com pessoas. A sua tarefa não é combater e eliminar os sons anormais no coração de um doente cardíaco ou o buraco nos pulmões de um tuberculoso, mas antes tornar mais fácil a vida a esses doentes, dar-lhes ou inculcar neles, dentro das convicções da sua natureza limitada ou danificada, uma forma de vida o mais favorável ou suportável que for possível. Não receia os doentes incuráveis, não desiste dos doentes terminais, procura tornar os minutos dos moribundos como os anos dos doente ligeiros tão suportáveis e tão cheios de amizade quanto possa. Não pretende forçar ou violentar as naturezas, não pretende tornar robustas as pessoas delicadas nem gordas as pessoas magras, quer apenas possibilitar e facilitar a continuação de cada um na sua pele e pessoa, mesmo quando ainda está demasiado doente. Para tal, o seu primeiro meio é abrir e iluminar diante de cada paciente uma visão do seu próprio ser e sofrimento, é ensinar cada um a compreender interiormente a sua própria vida, a levá-la a sério e a respeitá-la. Ele surpreende e aniquila aquilo que perturba o prazer e a vida, ao desenvolver na razão e no espírito os inimigos e forças contrárias à dor. Vejo aí o elemento crucial da sua arte, que ele se esforça por apoiar com todos os meios, vantagens e ferramentas da técnica da ciência e da técnica médica. Uma intenção nobre e imparcial a todas as manifestações da natureza viva, uma apreciação quase amoral de todos os estados humanos, todas as condições de vida, paixões, enganos – é esse o seu fundamento. E o seu ideal é uma condição da humanidade em que a mais ínfima coisa estaria em pé de igualdade com todos e onde a razão desapaixonada guiaria os pensamentos, decisões e acções das pessoas e dos povos.

in “A Casa da Paz” de Herman Hesse

Sábio / Mestre

– Bom dia Grande Sábio!
– Insisto que não voltes a chamar-me sábio. Tu és mais sábio do que eu.
– Muito bem. Chamá-lo-ei Mestre, como sempre. Foi apenas um deslize de linguagem.
– Sabes bem que é muito importante ter cuidado com o que se diz. As palavras que dizes são dardos. Devem ser preparados e disparados conscientemente, senão será o mesmo que atirar um dardo para o ar de olhos fechados. Podes acertar no local errado.
– Mas qual é o erro em chamar sábio a alguém que é obviamente um poço de sabedoria?
– Um mestre é alguém que orienta outro no seu caminho. Um mestre pode ser bastante inculto e até desprovido de qualquer educação. Um mestre, que é o que sou, tem como característica principal a preocupação para com o caminho do seu pupilo. O que o torna mestre não são as suas qualidades para executar o que quer transmitir, mas sim a capacidade para transmiti-lo. Apesar de no meu caso usar muitas vezes o meu próprio exemplo, há muitas áreas em que és muito superior a mim.
– Mestre, não me parece…
– Sabes bem o que penso da modéstia, não sabes?
– É falsa, sim sei. Concordo consigo, perdão…
– Ainda assim sou um Mestre, talvez não tão dotado como Mohandas, mas um bom mestre.
– De facto…
– Quanto a sábio, ainda tenho muito que trabalhar.
– Porquê?
– Um sábio é, como o próprio nome indica (pelo menos na língua em que falo) uma “pessoa que sabe”. Muitas vezes os sábios são confundidos com mestres, porque são quase sempre bons líderes, mas a maior parte das vezes terão muitos anos antes de poder ser mestres. Os sábios, não possuem necessariamente uma grande quantidade de conhecimentos, no entanto conseguem intuir com facilidade acerca de coisas novas. Conseguem chegar ao resultado de uma equação sem saber resolvê-la.
– Hum… interessante…
– Estás a reconhecer-te?
– Em parte…
– Apesar de isto parecer excelente à primeira vista, tem também alguns problemas associados. Um sábio não é um bom mestre porque não sabe explicar o que sabe. Os visionários são normalmente sábios com dificuldades de expressão. De certo modo o que os faz visionários é o facto de não conseguirem que os que os rodeam os acompanhem. Um sábio que saiba explicar o caminho, passa a ser um pioneiro, porque leva os seus no caminho que percorre.
– Tenho que meditar sobre isso.
– Pois tens.
– E portanto eu sou um sábio?
– Exactamente, mas deves tirar da palavra toda a carga solene que lhe dão na tua linguagem. Ser sábio é como ser grande ou pequeno. Não é bom ou mau em si mesmo, é apenas uma característica. Claro que isto não é o que queres ser.
– Pois, nunca queremos o que temos.
– Claro, isso seria não querer nada. Eu, por exemplo, quando tinha a tua idade queria ser sábio, porque sempre fui mestre, desde muito pequeno que sei “encaminhar os outros”, mas sempre invejei os “oráculos” que sabem coisas que os outros não sabem. Eventualmente acabei por descobrir que a felicidade nada tem a haver com isto e agora apenas procuro a bondade, mas isso é outro assunto…
– Já tenho muito em que pensar
– E que practicar. Podes começar por guardar esta conversa em escrito.
– Ah, foi por isso que me disse para gravar!
– Agora deves transcrever para papel, traduzindo para a tua língua, e depois apagar a gravação.
– Fá-lo-ei. Gostava também de publicar partes da conversa de hoje…
– Pelo que me mostraste, sempre que publicas algo que eu disse, fá-lo de uma forma a que pareço demasiado sábio. Pode ser uma percepção dada pela tradução, mas de qualquer modo digo-te que esta conversa pode ser publicada, mas integralmente.
– Assim? Não parecerá um pouco mundana?
– Sim, de certeza que sim.

Vinicius

Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor

Tomara
Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho
E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais

Vire essa folha do livro e se esqueça de mim
Finja que o amor acabou e se esqueça de mim
Você não compreendeu que o ciúme é um mal de raiz
E que ter medo de amar não faz ninguém feliz
Agora vá sua vida como você quer
Porém, não se surpreenda se uma outra mulher
Nascer de mim, como do deserto uma flor
E compreender que o ciúme é o perfume do amor

Gene Kelly

“I don’t believe in conformity to any school of dancing. I create what the drama and the music demand. While I am a hundred percent for ballet technique, I use only what I can adapt to my own use. I never let technique get in the way of mood or continuity.”

Gene Kelly

“Eu não acredito na conformidade com nenhuma escola de dança. Eu crio o que o drama e a música requerem. Apesar de ser cem por cento a favor da técnica do ballet, eu só uso o que posso adaptar para mim próprio. Eu nunca deixo a técnica ficar no caminho do humor ou continuidade.”

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