​Um “porque não” do capitalismo.

Antes de começar a ler, permita-me avisar o caro leitor de que a estória que se segue não tem interesse nenhum.
O Sr. Alírio tinha 53 anos quando viu abrir um restaurante mesmo em frente ao seu. De início ficou preocupado, porque o espaço além de ser várias vezes maior do que o seu, era também mais moderno, e ele sabia que toda a gente gosta de novidades.
Quando o restaurante abriu ficou mais descansado porque apesar do restaurante ser de facto excelente, era também 4 vezes mais caro do que o do Sr. Alírio e portanto a clientela nunca seria a mesma.

Acabou por se tornar amigo do dono do restaurante e aprendeu até porque é que se deve verter as bebidas apenas até meio do copo.

wp_20161124_21_22_14_rich-01Apesar da qualidade do restaurante, ao fim de alguns meses fechou por falta de movimento. Voltou a abrir e a fechar várias vezes, até que finalmente um empresário do interior finalmente conseguiu  manter o restaurante aberto tempo suficiente para criar clientes fiéis e cada vez mais numerosos.

O Sr. Alírio ainda tentou descer os preços, mas quando chegou ao ponto em que tinha sempre prejuízo no fim do mês, desistiu e fechou finalmente o seu restaurante ao fim de 80 anos e três gerações da sua família dali terem feito o seu ganha-pão. Entretanto o restaurante estava cada vez mais cheio, cada vez com mais clientes e empregados. Até o Sr. Alírio, agora desempregado, ia lá fazer as suas refeições de vez em quando. Ficava sempre impressionado com os preços que conseguiam fazer, mais baixos ainda do que os que o seu antigo e modesto estabelecimento. Alírio achava que tinha perdido o jeito para o negócio, porque por mais voltas que desse, não via maneira de pagar a todos aqueles empregados, mais a qualidade dos alimentos que era realmente excepcional.

Um dia, sem mais nem menos, o restaurante não abriu. Nunca mais.

O Sr. Alírio descobriu depois que o empresário, que tinha gasto uma boa parte da sua fortuna no restaurante, nunca tinha trabalhado no ramo e simplesmente achava que tendo o restaurante cheio, tudo estaria bem. Na verdade, durante todo o tempo em que esteve aberto, o restaurante nunca deu lucro, mas o seu dono apenas decidiu fazer contas mais de um ano depois de aberto.

Agora naquela zona há apenas um restaurante, onde o Sr. Alírio não pode ir por ser demasiado caro.

O capitalismo é também isto.

Extraordinárias histórias

Uma história, para que valha a pena ser contada, tem que ser extraordinária.

É por isto que, às vezes, as melhores histórias podem parecer improváveis! É óbvio que assim é.
Se forem banais, não têm interesse!

mais Epicurismo

 

Lembra-te de comer bem, beber tambem e rir com vontade
mas melhor do que isto até é praticar a sexualidade

Não percas tempo na estrada, não serve pra nada, evita as filas
arranja uma boa mulher, ou um gajo qualquer se fores larilas

Nós vamos todos falecer, patinar, bater as botas
Eu vou esticar o pernil, conviver com as minhocas
Tua vais fechar a pestana e fazer para sempre ó-ó
nós vamos passar a ser húmus, que é uma espécie de cócó

Prova o morango e a romã, a uva e a maçã, o figo e cereja
o mundo tem lindas cores e belos odores, menos em Estarreja

Tenta por todos os meios viver sem receios, não há que temer!
quer tenhas ou não tenhas medo,
mais tarde ou mais cedo vais falecer!!

Nós vamos todos falecer, patinar, bater as botas
Eu vou esticar o pernil, conviver com as minhocas
Tua vais fechar a pestana e fazer para sempre ó-ó
nós vamos passar a ser húmus, que é uma espécie de cócó

Expirar, falecer, extinguir, apagar,
cessar, fenecer, esvair, patinar,
morrer, acabar, definhar, concluir,
perecer, terminar, descansar, sucumbir

Nós vamos todos falecer, patinar, bater as botas
Eu vou esticar o pernil, conviver com as minhocas
Tua vais fechar a pestana e fazer para sempre ó-ó
nós vamos passar a ser húmus, que é uma espécie de cócó

Rústicos pelo Epicurismo – Gato Fedorento

https://www.youtube.com/watch?v=0P3S9xpSBnQ

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Ler. Pra kê?

Os intelectuais, e até outros, têm a mania que ler é bom e por isso recomendam que se leia.
Não me pronunciando sobre a justiça deste pedido, parece-me que não é pior jogar à bola ou fazer coisas sem sentido.
Ler livros é só uma de muitas coisas boas e importantes que podemos/devemos fazer.
Mas…

O homem que inventou a roda não sabia ler!

Ti           
Maio 2011

Filho:

Meu filho amado.
Sei que não vais ler isto, pelo menos não enquanto te fôr útil.
Quando eu tinha os teus vinte e tal anos também era assim impetuosa, como tu, e dificilmente pararia o tempo suficente para ouvir alguma coisa…
Estás na idade em que as hormonas deixam pouco espaço para qualquer outra coisa, mas ainda assim não resisto a avisar-te para o cuidado que deves ter com os teus.
Não podes viver para sempre a pensar que és uma espécie de D. Juan. Tens que ter cautela por duas razões principais: Não podes passar o tempo a ferir as raparigas que se apaixonam por ti. E mais importante ainda é que se viveres muito tempo sozinho corres o risco de te tornar num ser demasiado caprichoso para ser aceite por alguém, ou mesmo para aceitar.
Tenta ser carinhoso, mesmo que não te apeteça. Faz alguma coisa pelos outros diariamente – mas tem que ser mesmo por eles e não porque queres ser reconhecido, ou para te sentires melhor. Tem que ser só porque queres o bem dos outros, sem mais nada. Isto pode ser um bocadito dificil, mas entretanto podes ir praticando. Para isso ajuda os outros, mesmo que seja porque queres alguma recompensa – com o tempo pode ser que te apegues ao bem por si mesmo ao invés de por alguma recompensa.

Desculpa pelas frases mal amanhadas, mas estou a ficar cada vez mais confusa e custa-me muito concentrar-me mais do que alguns minutos.
Boa sorte!

Vânia, 20 de Abril 2009