Importância, Futebol (ou vão mas é trabalhar)!

Futebol CacaUma equipa de futebol levou um enxerto de porrada. O que é que isso interessa? Nada!

Até ouvi figuras com grandes responsabilidades a dizerem que este escândalo do Sporting demonstra uma falha do estado de direito!!

Se o presidente do Futebol Clube da Amêijoa dá ele próprio uns estaladōes aos treinadores e jogadores, não há uma única figura do estado que fale sequer nisso! Poder-se-ia alegar que são clubes com dimensões diferentes e por isso com importância diferentes, mas isso seria como admitir que as pessoas mais gordas são mais importantes!!

Srs. Governantes deixem-se de futebóis e vão trabalhar!

E, já agora, srs jornalistas façam o mesmo.

O animal é parvo

O animal queria reconhecimento.
Trabalhava 16 horas por dia e ainda estudava mais 3. Ficava sem comer para ter dinheiro para comprar livros. Não tem amigos para conversar, nem amigas para apaixonar.

Pintou um quadro anónimo para não alimentar a sua própria vaidade, mas deram a vaidade a quem o descobriu, mesmo sem se revelar o autor. Depois escreveu um livro, mas ficou tão famoso que teve de mudar de nome.

Quer amigos verdadeiros, mas não sabe que todos são. Pensa que, se têm interesse nele, são interesseiros, e por isso esforça-se por afastar todos os que se interessam por ele. Depois, quando já ninguém quer saber dele, dedica-se a fazer coisas maravilhosas para que se voltem a aproximar.
O animal é parvo. Compôs uma suite para quarteto de cordas tão famosa que tornou rico um pobre professor de piano da sua terra, mas depois achou-o desonesto porque ficou com a glória que não era dele. O professor repensou, deu a glória que devia ao animal e ele… ficou fulo porque os jornais todos diziam que se tinha redescoberto o autor do livro famoso! Achou o professor desonesto porque tinha prometido não divulgar!
Achou-se execrável porque culpava o professor por fazer tudo e o seu contrário.
Pareceu-lhe tudo injusto, e decidiu acabar consigo próprio. Gastou todo o seu dinheiro a comprar um carro blindado acelerou a toda a velocidade e atirou-se junto com o carro para o rio Vouga. Não morreu, recuperou e no dia em que teve alta do hospital da Universidade de Coimbra comprou uma passagem para o Egipto. Atirou-se ao Nilo e nunca mais ninguém o viu.
Não apareceu em nenhum obituário, porque ninguém sabe como é que se chama realmente.
Poderia ter sido o mais brilhante ser humano que alguma vez viveu, mas como nunca quis nada fácil, será para sempre quase nada.

Jun2009

​Um “porque não” do capitalismo.

Antes de começar a ler, permita-me avisar o caro leitor de que a estória que se segue não tem interesse nenhum.
O Sr. Alírio tinha 53 anos quando viu abrir um restaurante mesmo em frente ao seu. De início ficou preocupado, porque o espaço além de ser várias vezes maior do que o seu, era também mais moderno, e ele sabia que toda a gente gosta de novidades.
Quando o restaurante abriu ficou mais descansado porque apesar do restaurante ser de facto excelente, era também 4 vezes mais caro do que o do Sr. Alírio e portanto a clientela nunca seria a mesma.

Acabou por se tornar amigo do dono do restaurante e aprendeu até porque é que se deve verter as bebidas apenas até meio do copo.

wp_20161124_21_22_14_rich-01Apesar da qualidade do restaurante, ao fim de alguns meses fechou por falta de movimento. Voltou a abrir e a fechar várias vezes, até que finalmente um empresário do interior finalmente conseguiu  manter o restaurante aberto tempo suficiente para criar clientes fiéis e cada vez mais numerosos.

O Sr. Alírio ainda tentou descer os preços, mas quando chegou ao ponto em que tinha sempre prejuízo no fim do mês, desistiu e fechou finalmente o seu restaurante ao fim de 80 anos e três gerações da sua família dali terem feito o seu ganha-pão. Entretanto o restaurante estava cada vez mais cheio, cada vez com mais clientes e empregados. Até o Sr. Alírio, agora desempregado, ia lá fazer as suas refeições de vez em quando. Ficava sempre impressionado com os preços que conseguiam fazer, mais baixos ainda do que os que o seu antigo e modesto estabelecimento. Alírio achava que tinha perdido o jeito para o negócio, porque por mais voltas que desse, não via maneira de pagar a todos aqueles empregados, mais a qualidade dos alimentos que era realmente excepcional.

Um dia, sem mais nem menos, o restaurante não abriu. Nunca mais.

O Sr. Alírio descobriu depois que o empresário, que tinha gasto uma boa parte da sua fortuna no restaurante, nunca tinha trabalhado no ramo e simplesmente achava que tendo o restaurante cheio, tudo estaria bem. Na verdade, durante todo o tempo em que esteve aberto, o restaurante nunca deu lucro, mas o seu dono apenas decidiu fazer contas mais de um ano depois de aberto.

Agora naquela zona há apenas um restaurante, onde o Sr. Alírio não pode ir por ser demasiado caro.

O capitalismo é também isto.