Poetas

Há um desescrever nos poetas que me dá asco!

Escrevem ao contrário, torto, sem sentido
só porque sim.
Há quem diga que o artista tem que ser livre; não tem que se importar com forma, conteúdo ou objectivo, mas isso seria fazer nada e fazer nada é coisa para monjes ascetas, não para criadores.
O artista faz arte e isso tem que ser alguma coisa.

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Depois há outras coisas:
Poetas que não são bêbados,
que não fumam,
que fazem jogging, ou running
Isso não são poetas.
Poetas são decrépitos,
são à-rasca,
Comem porque calha
lavam-se porque ralham
E são feios.
Se não tiveram a sorte de nascer deformados,
deformam-se eles de uma forma trágica.

O poeta tem que ser chanfrado!
Os outros são uns merdas e vão todos acabar sozinhos com toda a gente,
como toda a gente.
O poeta, vai ter-se para sempre.

Dedicatória delicada

Olha lá ó meu asqueroso chupista
Tu já viste que que a única coisa que produzes de útil
é esse estrume desnutrido quando vais à casa-de-banho?
porque as fezes que dizes são tóxicas
e isso apenas pode ser descartado para um aterro devidamente isolado,
junto com o material radioactivo.

O que tu dizes não é nuclear, é antimatéria.
É mais vão que o oco, mais inútil do que adoçante no mel.

És mais estúpido do que o próprio conceito.
O ar que inspiras, fica irrespirável
és uma doença contagiosa, um vírus purulento.

Mereces tudo
alteres, bigornas, guilhotinas,
lançados de muito alto, pela cabeça abaixo.
Que todas as pestes te persigam
que todas as doenças te matem
e depois te ressuscitem
para te matar outra vez

Vai pró raio que te parta
não mereces nada
Desnasce de uma vez
.

porcaria (ou consideração em Si menor)

Si menor2Quero agradecer-lhe,
tenho toda a consideração do mundo por si,
que me lê
mas isto por si só, não lhe dá mérito,
poderá é dar-se o caso do mérito
ser motivo de consideração

mas considerando que
a consideração que lhe tenho
deve-se apenas ao facto de me estar a ler
e por isso me massajar o ego,
tenho que concluir que o que tenho por si
não é verdadeiro,
é só agradecimento por me reconhecer.

Mas se me reconhece por esta…
porcaria
descubro que não tenho qualquer consideração por si
porque isto que aqui lê
não é mais que perda de tempo, não tem valor

E, se V. Exa., gasta olhos e tempo e energia
a ler esta porcaria
não é dotada de qualquer mérito,
e merece de mim, portanto,
desprezo

Termino este agradecimento,
retirando-o
e desejando-lhe as melhoras!

Você é um ser desprezível!
Não por ser vil ou sequer desagradável,
apenas por não ter utilidade nenhuma
e, por isso, pode
e deve
ser desprezado.

Silêncio, fumo, barulho e nada..

O barulho correu frenético até se alojar, ensurdecedor, no fundo dos tímpanos. Não dizia nada, tomava apenas o seu lugar e fazia-o com a veemência de um Todo-Poderoso.

O fumo continuava perdido, fora do cigarro, espraiava-se lento pela sala claustrofóbica, tornando-a pesada e doentia.
Os olhos raiados de sangue queriam jorrar das órbitas, mas os nervos matinham-nos agarrados ao rosto esburacado de bexigas.
O tempo passava num ritmo cardíaco sem crença e compassado com música decadente que, entornada sem vontade dum rádio a pilhas, embalava a densidade do ambiente num pêndulo de inutilidade.

Foi assim que vivo.
Será assim que nasci.
É assim que morri.

de chorar

Há qualquer coisa nas vitórias, no reconhecimento que me faz chorar.
Nunca choro com tristezas (quando digo nunca, quero mesmo dizer nunca), mas quando oiço aplausos sinceros, ou vitórias verdadeiras há um nó que me ata a garganta e, às vezes os olhos marejam-se-me.
Emociona-me a Alegria… A tristeza? Isso passa!

Hoje vi a Jessica Augusto a cortar a meta com uma bandeira de um país que podia ser o meu e não me consegui conter, mesmo estando num lugar público cheio de desconhecidos incomodados por ver um homem velho como eu a chorar. Obrigado Jessica, fizeste de mim humano outra vez!

Dedicatória

És um clichê, um chavão, um loop, uma repetição infinita de coisa nenhuma!
Todo o teu brilhantismo e fama deve-se à impecabilidade inútil da tua reflexão na lisura oca dos que te rodeiam. Pensas que pensas, mas esse papaguear que vem do vão da tua vaziez tem em si nada. As ideias espectaculares que ejaculas dessa tua (de)mente são novidades e até inovações, mas só para os excretos satélites que te fazem pensar útil. És um cepo carcomido pela traça, um subproduto de baldo. A tua função no mundo é destruir a lógica, fazê-lo perceber que nada é possível e o contrário.

Amo-te assim!

Se não percebes que isto é o verdadeiro amor, foda-se!

 

Adão Demo, Maio 2014