Que seja sempre Verão – Pablo Alborán

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Pablo Alborán

Finges que as coisas não me doem
que a tempestade não voltará
Creio em cada palavra da tua boca
Mas se escondes mais do que uma derrota
Não adivinharei tua pele

Sei que não te dás bem com o meu passado
às vezes tendo a correr
A canção onde destruo a tua armadura
Tenho coragem para me esquecer das dúvidas
Mas há finais que não quero prometer

Aperta-me a mão
Que seja sempre verão
Que o nosso amor não dependa das vezes que nos digamos “te amo”

É simples, não precisa de muito trabalho
é olharmo-nos nos olhos
E sentir que há ali algo

Tu acendes
E eu apago as luzes
Há lágrimas que não vais entender

Se iluminas, que seja toda a nossa sombra
Se ilumina-la imediatamente nos destrói
Será melhor deixar de ver

Eu sei, não te dás bem com as minhas ausências
Não há vez em que não queira voltar
Se o teu riso é a mais bela das fontes
A razão de todas as pontes
Não me quero proteger do teu destino

Aperta-me a mão
Que seja sempre verão
Que o nosso amor não dependa das vezes que nos digamos “te amo”
É simples, não precisa de muito trabalho
É tremer em cada passo
Enquanto me vou aproximando
É olharmo-nos nos olhos
e sentir que há ali algo

Tradução livre de “Que siempre sea verano” de Pablo Alborán

Calei-me

Quando os nazis levaram os comunistas, eu calei-me, porque eu não era comunista.

Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque eu não era social-democrata.

Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque eu não era sindicalista.

Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque eu não era judeu.

Quando eles me levaram, não havia mais ninguém que protestasse.

Martin Niemoller

Já sei tudo

o que vai acontecer
sei de cor para onde me leva esse caminho
que novidade pode haver
se já o percorri sozinho

podemos agora seguir juntos e isso fazer a diferença,
mas se a soma de nós não é dois
é uma anulação

E como eu gostava de me anular para ti
mas és tu que te anulas
ou pior, sou eu que te zero
e tu a mim também

Sem ti sou diabólico, capaz de todas as vilanias
contigo não fico bom, fico neutro
incapaz de não nada.

Basta!
Prefiro ser notável por execração
a ser bondoso por omissão
Lutar-te-ei com todas as forças
e no fim vencerá o mais forte, como nos contos de fadas.

Se o mais forte é o bem?
Não.
É só o que conta a história.

Detrito

Já foi gente,
há tanto tempo que não há quem se lembre,
nem o próprio.

Agora é um vegetal apodrecente.
Sem beleza, nem utilidade.

Houve um tempo em que lhe viram algum encanto,
mas já ninguém sabe qual.
Os que lhe deram valor morreram
e com eles morreu também o resquício de humanidade.

é agora um resto que ocupa espaço
sem trazer nada de volta
Não produz, nem vale
é um detrito que se recusa a morrer.

Só ocupa espaço e
irritação nos escassos que se lembram
daquele desperdício.
Sem dignidade para se eutanasiar.

Poetas

Há quem diga que o artista tem que ser livre; não tem que se importar com forma, conteúdo ou objectivo, mas isso seria fazer nada e fazer nada é coisa para monjes ascetas, não para criadores.
O artista faz arte e isso tem que ser alguma coisa.

Há um desescrever nos poetas que me dá asco!

Escrevem ao contrário, torto, sem sentido
só porque sim.
Há quem diga que o artista tem que ser livre; não tem que se importar com forma, conteúdo ou objectivo, mas isso seria fazer nada e fazer nada é coisa para monjes ascetas, não para criadores.
O artista faz arte e isso tem que ser alguma coisa.

pess2

Depois há outras coisas:
Poetas que não são bêbados,
que não fumam,
que fazem jogging, ou running
Isso não são poetas.
Poetas são decrépitos,
são à-rasca,
Comem porque calha
lavam-se porque ralham
E são feios.
Se não tiveram a sorte de nascer deformados,
deformam-se eles de uma forma trágica.

O poeta tem que ser chanfrado!
Os outros são uns merdas e vão todos acabar sozinhos com toda a gente,
como toda a gente.
O poeta, vai ter-se para sempre.

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