porcaria (ou consideração em Si menor)

Si menor2Quero agradecer-lhe,
tenho consideração do mundo por si,
que me lê
mas isto por si só, não lhe dá mérito,
poderá é dar-se o caso do mérito
ser motivo de consideração

mas considerando que
a consideração que lhe tenho
deve-se apenas ao facto de me estar a ler
e por isso me massajar o ego,
tenho que concluir que o que tenho por si
não é verdadeiro,
é só agradecimento por me reconhecer.

Mas se me reconhece por esta…
porcaria
descubro que não tenho qualquer consideração por si
porque isto que aqui lê
não é mais que perda de tempo, não tem valor

E, se V. Exa., gasta olhos e tempo e energia
a ler esta porcaria
não é dotada de qualquer mérito,
e merece de mim, portanto,
desprezo

Termino este agradecimento,
retirando-o
e desejando-lhe as melhoras!

Você é um ser desprezível!
Não por ser vil ou sequer desagradável,
apenas por não ter utilidade nenhuma
e, por isso, pode
e deve
ser desprezado.

Importância, Futebol (ou vão mas é trabalhar)!

Futebol CacaUma equipa de futebol levou um enxerto de porrada. O que é que isso interessa? Nada!

Até ouvi figuras com grandes responsabilidades a dizerem que este escândalo do Sporting demonstra uma falha do estado de direito!!

Se o presidente do Futebol Clube da Amêijoa dá ele próprio uns estaladōes aos treinadores e jogadores, não há uma única figura do estado que fale sequer nisso! Poder-se-ia alegar que são clubes com dimensões diferentes e por isso com importância diferentes, mas isso seria como admitir que as pessoas mais gordas são mais importantes!!

Srs. Governantes deixem-se de futebóis e vão trabalhar!

E, já agora, srs jornalistas façam o mesmo.

Silêncio, fumo, barulho e nada..

O barulho correu frenético até se alojar, ensurdecedor, no fundo dos tímpanos. Não dizia nada, tomava apenas o seu lugar e fazia-o com a veemência de um Todo-Poderoso.

O fumo continuava perdido, fora do cigarro, espraiava-se lento pela sala claustrofóbica, tornando-a pesada e doentia.
Os olhos raiados de sangue queriam jorrar das órbitas, mas os nervos matinham-nos agarrados ao rosto esburacado de bexigas.
O tempo passava num ritmo cardíaco sem crença e compassado com música decadente que, entornada sem vontade dum rádio a pilhas, embalava a densidade do ambiente num pêndulo de inutilidade.

Foi assim que vivo.
Será assim que nasci.
É assim que morri.