Silêncio, fumo, barulho e nada..

O barulho correu frenético até se alojar, ensurdecedor, no fundo dos tímpanos. Não dizia nada, tomava apenas o seu lugar e fazia-o com a veemência de um Todo-Poderoso.

O fumo continuava perdido, fora do cigarro, espraiava-se lento pela sala claustrofóbica, tornando-a pesada e doentia.
Os olhos raiados de sangue queriam jorrar das órbitas, mas os nervos matinham-nos agarrados ao rosto esburacado de bexigas.
O tempo passava num ritmo cardíaco sem crença e compassado com música decadente que, entornada sem vontade dum rádio a pilhas, embalava a densidade do ambiente num pêndulo de inutilidade.

Foi assim que vivo.
Será assim que nasci.
É assim que morri.

Abdul Sattar Edhi

Hoje o Google decidiu homenagear Abdul Sattar Edhi.abdul-sattar-edhi
Aproveitem para descobrir o que é ser humanista.
Este homem é muito mais importante do que qualquer outro político dos últimos 20 anos.
Nenhuma cruzada, guerra santa, Jihad maior ou menor, faz sentido quando vemos o mundo sob os olhos deste homem.
Aprendam o que é ser alguém, leiam um bocadinho sobre Abdul Sattar Edhi e, melhor ainda, tentem copiar-lhe o exemplo.
Há-de chegar o dia em que os estúpidos vão deixar de ter medo de coisas como الله اكبر e vão passar a julgar a violência pelo que ela é e não pelo aspecto que têm os que não a praticam.

Cuspe (ou Soneto-Presente)

pissQuero dar-te um presente,
que diga mesmo o que sinto,
que retrate o que acho realmente

porque sempre que te vejo minto
finjo-me indiferente
mas os sentimentos são um labirinto

na realidade quero-te muito
essencialmente contra a parede
parece paixão, mas tem outro intuito
quero só acabar com esta sede

ir à tua derradeira missa,
dançar em cima da tua campa,
festejar por fim a justiça
de seres finalmente trampa