Dia do Sol

Há dias em que se acorda
e o Sol que costuma entrar pela janela
está deitado ao nosso lado
e o frio, que nos gela o nariz quando o pomos fora de lençóis,
passa ao largo,
sem poder sobre o abraço quente do Sol

Não há muito dias desses
em que se acorda a cantar
aquelas ladaínhas de que já nem nos lembrávamos
das que ouvimos na infância
e de que nem sentimos falta
por ter sido quase à tempo de outra vida
Cantamos, cantamos, cantamos
e até a voz que costuma soar rude, cavernosa e resmungada
parece límpida, suave e melodiosa
os olhos sorridentes abrem-se à luz sem precisar da protecção
da mãos de afastam os lençóis
para deixar a descoberto
pernas de seda alva
que hoje, neste dia de Sol
dançam por entre os móveis
com agilidade felina e calcanhares suspensos
pelos bicos de pés delicados

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One response to “Dia do Sol

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