Eficácia

No mundo do trabalho prolifera a ideia de que é imprescindível ser eficaz. Acho que é também assim que deve ser tudo na vida, não apenas no que concerne o trabalho, mas principalmente a nível espiritual, e também a nível afectivo.

Falemos por exemplo na crença de Deus:
Acreditar em Deus, segundo as principais religiões monoteístas, é uma questão de fé, assim sendo, não se basea em coisas tangíveis, antes num acreditar sem prova. Este conceito, que é cada vez menos acentuado, descorda do método científico, no qual se advoga que deve utilizar a lógica (e outros conceitos matemáticos) para analisar dados e se chegar a conclusões que podem ser comprovadas repetindo o método.
Ambos os conceitos podem ser redutores. Não é a primeira vez que me refiro à falibilidade da ciência, que se deve na realidade à falibilidade dos que a praticam – todos nós. Assim, a Ciência não é mais importante do que as religiões, nem sequer mais válida. Entre os cientistas há profetas tão incríveis como Maomé, que fizeram e fazem milagres tão espectaculares como Jesus Cristo, mas tal como estes, também os cientistas dão origem (ainda que involuntariamente) às maiores atrocidades.

A lógica deve ser a da própria lógica. Se há coisas tangíveis e mesuráveis com réguas, fórmulas e cortações, também há aquilo que não é possível considerar desta forma. Não é por não ser palpável que algo é menos real.
É aqui que volto à eficácia, se um Deus, um Demónio, uma estátua, ou o Sol, fazem com que sejamos melhores, então adoremos esses Deuses Demónios ou objectos. Se funciona é real, mesmo que a ciência, a religião e o senso comum digam que não.
O senso importante não é o comum, é o bom.

Ti
Verão 2011

2 responses to “Eficácia

  1. Vim aqui ter pelo jugular.
    A crença em Deus sempre foi um assunto, não digo que me fascina, enfim, mas que me atormenta. Aceito e creio (lá está…!) que factos fisicos têm, ou virão a ter, explicações cientificas. A evolução do conhecimento humano tem-nos levado a obter explicações para acontecimentos que, no passado, deixaram o Homem sem resposta. Mas a existência de algo para lá da fisica, que nos transcenda não choca de todo com o conhecimento cientifico. Consigo crer na existência de Deus, como um ser, não superior, mas existente numa dimensão “acima” da nossa. Acredito que sim esse Deus foi o criador, foi quem despoletou todo o universo (nada a ver com as muito em voga teorias criacionistas) Se esse Deus é o mesmo das religiões professadas pela maioria da população terrestre, isso é outro desafio. Cumprimentos

  2. Olá Tiago! Obrigado pelo comentário.
    Ao que me referia no texto era à eficácia de uma crença, seja qual for.
    Se adorar o pó de um armário torna uma pessoa melhor, então deve fazê-lo, mesmo que pareça despropositado ou errado. Da mesma forma, se adorar um qualquer deus, faz dessa pessoa um ser pior, então não o deve fazer apenas por tradição, ou conforto pessoal.
    Quanto ao que é “tornar-se melhor”, isso é um conceito relativissimo…

Obrigado! Volta sempre que puderes! É bom saber de ti!

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