Resposta a convite de casamento

Meu amor:
Eu sei que não gostas que te trate assim, mas sabes que é assim que penso em ti.
Rogo-te que não sintas triteza nem pena por isso- sabes bem que sou estupidamente feliz e que os poucos momentos desiluminados que tenho, são sempre por te encontrar menos feliz, e nunca por não ser correspondido no meu amor por ti.

Já não nos vemos há tanto tempo que me parecem várias vidas, mas ainda assim não há dia em que não me lembre de ti, nem oração que não te inclua, apesar de ter conseguido sempre resistir à tentação de pedir a Deus que te fizesse amar-me.

Sabes, amo-te há tanto tempo que parece que a vida foi sempre assim. Apesar de nem sempre ter sido fácil, nunca quis que me amasses só por eu querer – sou talvez um pouco ambicioso demais e agora é tarde demais para mudar -. A minha vontade continua a mesma, apesar dos anos e o cansaço que me combate, quero um amor como o que tenho por ti, mas apenas se o meu amor for também desse tamanho.

Já houve pessoas maravilhosas (e outras nem tanto), que se apaixonaram por mim e foi aí que percebi o que dizias quando choravas que querias tanto amar-me…
Também eu queria amar algumas pessoas como elas mereceriam, mas nunca consegui gostar de ninguém como de ti. Isto faz mesmo doer, mas esforço-me sempre por não me culpar por isso.

Prometi-me que não excedia esta folha, no que tivesse a escrever-te e por isso não me alongo. Peço-te apenas que recebas estas linhas com a mesma alegria com que as escrevo. O amor que te tenho é uma benção e tenciono continuar a gozá-la enquanto a tiver.

Desculpa recusar o convite para o teu casamento, mas mesmo para um tolo como eu, isso seria talvez um pouco mais do que o que conseguiria aguentar. Ainda assim, faço questão de abençoar a vossa união.
Desejo realmente a tua felicidade e isso só me traz o mesmo, sem a mínima pena.

Quando precisares de mim, saberás onde me encontrar,
sempre teu,

Dezembro 2008

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5 responses to “Resposta a convite de casamento

  1. A minha carta para o amor perdido…

    Fiquei triste. Num momento você estava aqui, no outro já não estava. Igual a um bicho de estimação que morre de repente e somem com o corpo.
    Para onde foi tudo aquilo? Que tínhamos tão seguro. Tão certos de sua eternidade. Para onde foi, hein? Meu peito, depósito subitamente esvaziado, aperta-se no meio de tanto espaço.Tento identificar o instante, quando o que tínhamos se perdeu. Mas nem sei se o perdemos juntos ou se juntos já não estávamos. Me desespera saber que um amor, um dia desses tão grande, possa ter desaparecido com tanta facilidade.

    Como já disse, estou triste; e isso me faz acreditar no poder das cartas. Não falo de tarô, mas destas, escritas e mandadas ou não mandadas. Cheias de questões e metáforas, que assim, misturadas cuidadosamente, num cafona português polido, soam mais sensatas.

    Qual poder espero desta carta? Simples: que deixe registrado este meu estranho momento. Quando o que devia ser alívio revela-se angústia. E a cabeça não pára, vasculhando cantos vazios.Não gosto de perder as minhas coisas, você sabe. E hoje, cercada pela sua ausência, procuro o que procurar. Experimentando o desânimo da busca desiludida. Pois, se um amor como aquele acaba dessa maneira, vale a pena encontrar um outro? Será inteligente apostar tanto de novo?Aposto que você está pouco se lixando para isso tudo. Que seguiu sua vida tranqüilamente, como se nada de tão importante tivesse ocorrido. E está até achando graça desta minha carta, julgando-a patética e ridícula. Você, redundante como sempre.

    Só há uma coisa certa a respeito disso: não desejo resposta sua. É, esta é uma daquelas cartas que não são para ser respondidas. Apenas lidas, relidas, depois picadas em pedacinhos. Sendo esse o destino mais nobre para as emoções abandonadas.

    Queria apenas pedir um favor antes que você rasgue este resto do que tivemos. Se algum dia, tendo bebido demais, sei lá, você acabar pensando tolices parecidas com estas, escreva também uma carta. Mesmo sem jamais saber o que você irá dizer, sei que ela fará de mim menos ridícula. Neste amor e, por isso, em todo o resto. Pois adoraria que você fosse capaz de tanto – escrever uma carta é um ato de desmedida coragem. E eu ficaria, enfim, feliz comigo, por tê-lo amado. Um homem assim, capaz de escrever bobagens amorosas.Então é isso – como sou insuportavelmente romântica, meu Deus. Termino aqui essa história, de minha parte, contando que estas palavras façam jus ao fim do amor que senti. E deixando este testamento de dor, onde me reconheço fraca e irremediável. Porque ainda gostaria de poder acreditar que você nadaria de volta para mim….

    Um dia já amei alguém com tanta intensidade que achei que aquele amor não iria acabar nunca e parecia até que ia me sufocar de tristeza, até que encontrei um amor ainda maior…

Obrigado! Volta sempre que puderes! É bom saber de ti!

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