Dançar


A rapariga apareceu diante de mim.
– Camarada, você nunca dança. Convido-o.
Não pensei se seria capaz de dançar aquela música. Daria um jeito… Era preferível a ofendê-la. E dancei. Dançamos. Já dançou a rumba com uma congolesa? Se sim, não tenho necessidade de lhe explicar. Se não, são as ancas do mar que o levam num baloiço, ao ritmo da música.
Mas sabe que só se pode dançar bem a rumba um encostado ao outro? E nós dançamos bem. Mas em silêncio. No entanto, eu penso que a dançar também se fala.
O disco acabou, Jonas precipitou-se para o voltar a pôr. Eu abençoei-o mentalmente e voltei a enlaçar o meu par.
– Você está na faculdade? – disse-me ela.
– Sim.
– Mas nunca o vemos.
– É porque tenho muito trabalho.
A conversa parou aí, mas sentíamos que tínhamos muitas outras coisas a dizer. E eu, na época, não sabia falar com as raparigas. A mão que eu tinha espalmada sobre as suas costas subiu um pouco e tocou a sua pele no sítio em que começava o decote. Esse contacto não a deixou insensível. Até tive a impressão de que ela, de forma imperceptível, se encostou mais contra mim. Com a outra mão eu apertava-lhe o polegar. Ela respondeu com uma pressão na mão. Terminamos a dança com as faces encostadas.

Henri Lopes “Tribalices”
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