Poetas

Há um desescrever nos poetas que me dá asco!

Escrevem ao contrário, torto, sem sentido
só porque sim.
Há quem diga que o artista tem que ser livre; não tem que se importar com forma, conteúdo ou objectivo, mas isso seria fazer nada e fazer nada é coisa para monjes ascetas, não para criadores.
O artista faz arte e isso tem que ser alguma coisa.

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Depois há outras coisas:
Poetas que não são bêbados,
que não fumam,
que fazem jogging, ou running
Isso não são poetas.
Poetas são decrépitos,
são à-rasca,
Comem porque calha
lavam-se porque ralham
E são feios.
Se não tiveram a sorte de nascer deformados,
deformam-se eles de uma forma trágica.

O poeta tem que ser chanfrado!
Os outros são uns merdas e vão todos acabar sozinhos com toda a gente,
como toda a gente.
O poeta, vai ter-se para sempre.

Que se foda a poesia erótica.

Que se foda a poesia erótica
Contra uma parede
acabe-se-lhe com a sede
sufoque-se-lhe o pescoço

Poesia é coisa de velha
Arrepanhar lábios,
contra lábios
é de lenda

Não se é mulher, porque se quer
para ser berço é preciso colo
não é preciso força, nem falo
isso é para usar e descartar
como um acessório sem valor,
irrisório

Os homens não percebem o prazer
só sabem da sua braguilha
não percebem a virilha
não sabem que tem que doer
não sabem que amor
também é foder

Toda a mulher é ilha
toda a mulher é mãe
é boca, é cheiro, é mão
pode não ser filha
mas será sempre pão

Foder um homem é necrofilia
não se pode entrar num homem
é um ser inanimado
um homem por dentro é oco
é fisiológico,
não tem nada de elevado

Uma só mulher tem tudo,
mesmo que seja fútil,
imprestável, intragável ou inútil
ainda assim será sempre mais
do que um homem

Que não seja mal entendida,
um homem também tem valor
um homem tem lábios, mas são só lábios.
Uma mulher tem o mundo,
cheiros,
calor
e tudo isso… só nos lábios.

Onde um homem acaba
uma mulher ainda não começou.

Chamar

Chamo-os.
Tanto e há tanto que ensurdeço, talvez por isso não me oiçam,
Talvez não oiçam ninguém por minha causa, talvez ninguém me oiça por culpa minha, talvez tenha tornado todos surdos.

 

Grito mais e mais alto, mas ainda assim
Nada; ninguém!

Mando faxes, cartas, telegramas, e-mails, sinais de fumo, mensagens em garrafas!
Todos são surdos, ninguém sabe ler, todos são cegos.

Desisto por fim, sabendo que ninguém me pode entender.

Só quando deixo de os procurar;
olho para mim, e hipotetizo que eu é que sou muda, eu é que sou surda, eu é que sou cega.

Eu é que nunca os entendi,
eu é que nunca lhes respondi.

Restos:

Vós não sois más pessoas;
sois piores, sois restos de civilizados.

Percebo que o medo leve a preconceitos, há aliás estudos que o provam.

Tratar alguém como indigente porque o achamos (independentemente de ser ou não) é reles.

Não julguem que me acho melhor do que vós. A única diferença é que tenho vergonha de discriminar enquanto vós o fazeis sem pudor.

Da próxima vez que sussurrardes “cigano” ou “pedinte”, lembrai-vos que todos os dias vos penso bestas, mas não o vocifero como um parvalhão que, sem conseguir, tento não ser.

Ainda assim, se eu seguisse o meu próprio conselho, calar-me-ia e deixar-vos ia viver a vossa vida.
Tal como não vale a pena ensinar a tabuada a um cão, porque nunca conseguiria aprender, também não espero que deixemos de ser descriminatórios nos pensamentos, mas rogo-vos que pelo menos deixeis de o assumir com garbo e remeteis essas ideias ao opróbrio do silêncio.

As melhoras.

Dia Mundial do Livro

Ler não é melhor do que não ler.
Há inúmeras provas de que é assim. Não gosto dos que dizem que os lêem são melhores do que os que não lêem. São gente preconceituosa que precisa de ler mais.

Ler ensina coisas sobre as pessoas,
saber coisas sobre pessoas permite-nos compreendê-las melhor.
Quando se percebe os outros, pode-se julgá-los melhor
Eventualmente ler faz com que nos tornemos mais empáticos para com os outros.

Poder-se-ia concluir que afinal ler faz bem; mas não faz.
A única maneira de fazer bem é se lermos muito, de muitas fontes e formas diferentes.
Assim podemos conhecer os ângulos diferentes e não os do costume, que apenas servem para que fiquemos cada vez mais na mesma.
Se formos burros, cada vez mais burros.

Por isso hoje, dia mundial do livro, não sugiro livros, sugiro diferença, outros autores, outras linguagens…
Isto não quer dizer que a seguir ao Mein Kampf, se deve ler o Capital, quer dizer que a seguir a esses dois se deve ler sobre culinária e depois sobre satanismo.