Gente?

- Estás chateado? Então tu não és Budista ou não-sei-quê?
– Sou. Sou não-sei-quê, mas isso não me faz diferente!

Um ateu passeia por uma floresta na África, admirando tudo o que aquele “acidente da evolução” havia criado.

“Mas que árvores majestosas! Que poderosos rios! Que belos animais! E tudo isso aconteceu por acaso, sem nenhuma interferência de ninguém! Só mesmo as pessoas fracas e ignorantes, por medo de não conseguirem explicar suas próprias vidas e o universo, têm necessidade de atribuir a uma entidade superior toda esta maravilha!”

Houve um ruído nos arbustos atrás de si; um leão prepara-se para atacá-lo. Tenta fugir, mas o animal o derruba. Sem mais nada a perder, ele grita:

“Meu Deus!”

E um milagre acontece: o tempo pára, o ambiente é tomado por uma luz estranha, e escuta-se uma voz:

“O que desejas? Negaste a minha existência durante todos estes anos, ensinaste a outros que Eu não existia, e reduziste a Criação a um ‘acidente cósmico’”

Confuso, o homem exclama:

“Seria hipócrita de minha parte mudar de ideia só porque estou preste a morrer. Durante toda a minha vida, ensinei que Tu não existias”.

“Então, que esperas que eu faça?”

O ateu refletiu um pouco, sabendo que aquela discussão não poderia durar para sempre. Finalmente diz:

“Eu não posso mudar, mas o leão pode. Portanto, peço ao Senhor que transforme este animal selvagem, assassino, em um animal cristão!”

Na mesma hora, a luz desapareceu, os pássaros na floresta voltaram a cantar, o rio tornou a correr.

O leão sai de cima do homem, faz uma pausa, abaixa a cabeça, e diz compenetrado:

“Senhor, quero agradecer Sua generosidade, por este alimento que agora vou comer…”

Paulo Coelho

A saudade que faz a falta ausente de coisa.

Houve tempo de sentir (ia dizer falta, mas sentir seria suficiente)
não lembro bem esse tempo,
mas existiu

depois veio a vida e deu-me igualidade aos outros,
deu-me rotina e certeza do futuro… baço
a sociedade (bicho que é pau para toda a colher)
acredita que o desbrilho certo é melhor do que…
… o resto

o resto é mesmo isso
o que sobra

sentir era muito
bom ou mau não importa

tudo é meão
nem sim,
nem não
tudo é nim
e vão

Adão
9-2011

Dia do Sol

Há dias em que se acorda
e o Sol que costuma entrar pela janela
está deitado ao nosso lado
e o frio, que nos gela o nariz quando o pomos fora de lençóis,
passa ao largo,
sem poder sobre o abraço quente do Sol

Não há muito dias desses
em que se acorda a cantar
aquelas ladaínhas de que já nem nos lembrávamos
das que ouvimos na infância
e de que nem sentimos falta
por ter sido quase à tempo de outra vida
Cantamos, cantamos, cantamos
e até a voz que costuma soar rude, cavernosa e resmungada
parece límpida, suave e melodiosa
os olhos sorridentes abrem-se à luz sem precisar da protecção
da mãos de afastam os lençóis
para deixar a descoberto
pernas de seda alva
que hoje, neste dia de Sol
dançam por entre os móveis
com agilidade felina e calcanhares suspensos
pelos bicos de pés delicados

Rudeza

Ser rude pode ser uma excelente maneira de perder oportunidades.

Com facilidade encontramos gente que é extremamente competente, mas com quem preferimos nunca ter mais contacto na vida.
Há quem diga que esta falta de cortesia se deve à velocidade insana da vida actual, na qual não temos tempo para salamaleques. É verdade, se calhar deve-se a isso, mas como sempre, as justificações não fazem com que o errado passe a estar certo.
Há quem ache que não ser simpático já é ser rude, eu não chego a tanto, mas quase.

Conheço quem não compre nada em determinada loja só porque a pessoa que lhe fez o atendimento não disse “Bom dia” quando entrou! Não discuto a justeza do argumento, hoje interessa-me o lado da oportunidade perdida por um pormenor tão pequeno, porque às vezes é nos pequenos detalhes que se revelam grandes carácteres.

Se não quiser chatear-se, não leia.

Ontem de manhã, recebi uma notícia terrível: Outro jovem monge tibetano suicidou-se, imolando-se pelo fogo em protesto contra a repressão religiosa da China.

Tsewang Norbu do Mosteiro Nyitso era provavelmente tão despretensioso e humilde como qualquer um de seus irmãos monges tibetanos. Quando ele se sentou numa ponte perto de um escritório do governo local em Kham a espalhar folhetos pró-Tibete e começou a clamar pelo regresso de Sua Santidade o Dalai Lama ao Tibete, deveria ter havido motivo para alarme.

Pegou uma lata de gasolina, encharcou-se com ela, e pegou fogo a si mesmo.

É claro que Tsewang acreditou que essa era a maneira com que ele poderia chamar a atenção do mundo para as insuportáveis acções repressivas que o governo chinês está a perpetrar no Tibete.

É nosso dever – seu e meu – garantir que sua trágica morte não foi em vão.

Por favor assine nossa petição para Gary Locke - novo embaixador dos EUA para a China -, instando-o a usar todo o poder da diplomacia dos EUA para pôr termo às violações direitos humanos na China e a repressão cultural e religiosa que está na base de tragédias como a morte de Tsewang e Phuntsok .

Com a sua voz, você pode ajudar. Com a sua acção pode certificar-se que algo de bom virá de algo tão trágico.

Texto original:

Yesterday morning, I received some terrible news: Another young Tibetan monk has taken his own life, by setting himself on fire in protest of China’s religious repressions.

Tsewang Norbu of Nyitso Monastery was more than likely as unassuming and humble as any of his Tibetan monk brothers. So when he sat down on a bridge outside a local government office in Kham, spread out pro-Tibet leaflets, and began calling for the return of His Holiness the Dalai Lama to Tibet, there should have been cause for alarm.

Then he took a canister of gasoline, doused himself with it, and lit himself on fire.

It’s clear that Tsewang believed this was the way he could call the attention of the world to the unbearable, repressive actions the Chinese government is perpetrating in Tibet.

It’s our duty – yours and mine – to ensure that his tragic death was not in vain.

Please sign our petition to Gary Locke – new U.S. Ambassador to China – today, urging him to use all the power of U.S. diplomacy to stop China’s human rights violations and the cultural and religious repressions at the heart of tragedies like the deaths of Tsewang and Phuntsok.

With your voice, you can help. Your action can make sure some good comes from something so tragic.

Mary Beth Markey

Benvinda Leal 16-08-2011

Money makes the world go round

Começo com uma história acerca de como o mundano pode afectar o transcendente:

Yo soy un artista y por esso soy de los más golpeados por la crisis.
Cuando la gente no tiene dinero lo primero que corta es el arte. Hubo momentos en que mi música era apreciada por todos y pensabam que era una pérdida tocar en bares en lugar de los grandes escenarios. Ahora los mismos creen que tengo suerte de poder tocar en bares, en lugar de tener que ir a jugar para el metro.
Quizás tengan razón, pero mi hija no es culpable de su padre ser músico, y de la necesidad de comer.
¿Podría vivir en una casa más pequeña? Podría, pero necesitaba que alguien me compre la grande, pero incluso después de 60% de descuento en el precio, los compradores siguen sin aparecer, incluso después de hacer un contrato con todas las agencias del país!
Siempre fui feliz y nunca tuvo mucho, pero si el dinero no puede comprar la felicidad, su falta la lleva!

Benvinda Leal

15-08-2011

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