No mundo do trabalho prolifera a ideia de que é imprescindível ser eficaz. Acho que é também assim que deve ser tudo na vida, não apenas no que concerne o trabalho, mas principalmente a nível espiritual, e também a nível afectivo.
Falemos por exemplo na crença de Deus:
Acreditar em Deus, segundo as principais religiões monoteístas, é uma questão de fé, assim sendo, não se basea em coisas tangíveis, antes num acreditar sem prova. Este conceito, que é cada vez menos acentuado, descorda do método científico, no qual se advoga que deve utilizar a lógica (e outros conceitos matemáticos) para analisar dados e se chegar a conclusões que podem ser comprovadas repetindo o método.
Ambos os conceitos podem ser redutores. Não é a primeira vez que me refiro à falibilidade da ciência, que se deve na realidade à falibilidade dos que a praticam – todos nós. Assim, a Ciência não é mais importante do que as religiões, nem sequer mais válida. Entre os cientistas há profetas tão incríveis como Maomé, que fizeram e fazem milagres tão espectaculares como Jesus Cristo, mas tal como estes, também os cientistas dão origem (ainda que involuntariamente) às maiores atrocidades.
A lógica deve ser a da própria lógica. Se há coisas tangíveis e mesuráveis com réguas, fórmulas e cortações, também há aquilo que não é possível considerar desta forma. Não é por não ser palpável que algo é menos real.
É aqui que volto à eficácia, se um Deus, um Demónio, uma estátua, ou o Sol, fazem com que sejamos melhores, então adoremos esses Deuses Demónios ou objectos. Se funciona é real, mesmo que a ciência, a religião e o senso comum digam que não.
O senso importante não é o comum, é o bom.
Ti
Verão 2011