Analucia
Analucia nunca me foi muito próxima, nem nunca será.
Era daquelas pessoas de pouco contacto físico, não por algum tipo de inaptidão ou preconceito, mas apenas porque sim. Falava pouco e tinha até um ar distante, associado a uma competência impar.
Uma vez (uma única vez) falou-me de forma mais ríspida e eu fiz-lho notar.
Aproximou-se de mim, fez um sorriso generoso e pediu-me desculpas sinceras, enquanto corava e me tocava no braço obrigando-me a olhá-la nos olhos.
Isto tudo durou poucos segundos, mas o suficiente para me sentir culpado por muitos dias. Quem sou eu para desculpar um ser deste tamanho?